13
set
11

A Casa é Sua

(Arnaldo Antunes)

Não me falta cadeira
Não me falta sofá
Só falta você sentada na sala
Só falta você estar

Não me falta parede
E nela uma porta pra você entrar
Não me falta tapete
Só falta o seu pé descalço pra pisar

Não me falta cama
Só falta você deitar
Não me falta o sol da manhã
Só falta você acordar

Pras janelas se abrirem pra mim
E o vento brincar no quintal
Embalando as flores do jardim
Balançando as cores no varal

A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

Não me falta banheiro, quarto
Abajur, sala de jantar
Não me falta cozinha
Só falta a campainha tocar

Não me falta cachorro
Uivando só porque você não está
Parece até que está pedindo socorro
Como tudo aqui nesse lugar

Não me falta casa
Só falta ela ser um lar
Não me falta o tempo que passa
Só não dá mais para tanto esperar

Para os pássaros voltarem a cantar
E a nuvem desenhar um coração flechado
Para o chão voltar a se deitar
E a chuva batucar no telhado

A casa é sua
Por que não chega agora?
Até o teto tá de ponta-cabeça
Porque você demora

A casa é sua
Por que não chega logo?
Nem o prego aguenta mais
O peso desse relógio

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13
set
11

Nine-Eleven

Três anos que mais parecem trezentos. E se eu vivesse trezentas vezes, as trezentas queria a mesma avó. Todo mundo deveria ter uma avó igual a você, pelo menos uma vez na vida!

“Hoje a minha avó dormiu para sempre – dorminhoca”

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29
ago
11

25-06-2010

Fuçando nas coisas que trouxe de Vancouver, encontrei essa cartinha que a Vó Cida mandou pela minha mãe e pela Tia Rose, desejando* feliz aniversário:

“Ana Eliza minha querida neta você sabe que eu ti amo muito, sinto muita saudades de você. Mais estou feliz de saber que você estpa aproveitando muito.
Deus o abençoe, aproveite esta oportunidade.
Estou mandando pela tia Rose um pequeno presentinho para o seu aniversário mais, é com muito carinho.
Um beijo de sua Vó que não te esquece,
Deus a abençoe muito.
Chaú até Julho se Deus quizer,
Vó Cida” (sic)

Estou dividindo aqui com vocês os erros de português mais lindos que eu já vi.

*A Vovó já tem 84 anos, 83 na época da carta, e isso inviabilizou que ela acompanhasse meu pai, minha mãe, a Tia Rose, o Minduim e o João Paulo, na viagem a NY pra comemorar meu aniversário.

28
ago
11

Inércia

Inércia: s.f. estado que é inerte.
Estado de paralisia; condição de estagnação; falta de atitude; ausência de ação e reação; inação; inatividade.

28
ago
11

Fit? No, thanks.

Quando você perde o sono, se sentindo totalmente confusa e com a sensação de estar fazendo tudo errado: escolhas erradas, se relacionando errado, falando bobagem, invertendo ordem de prioridades.

Quando você está ali, completamente perdida, com a sensação de estar fazendo MERDA, com o pressentimento de que vai dar errado, mas continua fazendo pelo simples fato de não saber como é o certo.

Quando a iminência do fracasso apavora e você sente vontade de correr, mas lembra que não tem pra onde. Porque o seu orgulho foi grande demais e você perdeu peças-chave, e agora tá aí sem conseguir se encaixar em círculo nenhum. E também porque tem gente demais nessa história toda morando muito muito longe.

Quando você se sente alienada e pensa em procurar ajuda pra se certificar de que você não nasceu autista, mas que age assim por opção.

Acabo de encarar que de Vancouver só o físico voltou viagem, porque a mente ainda continua mergulhada na viagem que é tentar encontrar o próprio “eu”. Já faz um ano e um mês que eu não me acho e não me enquadro em lugar nenhum. Precisava ser assim tão complicado?

A noite vai ser longa…

28
abr
11

Cachorradas

Essa semana uma amiga se viu obrigada a eutanasiar seu cachorro. O Toy, um poodle de 11 anos de idade, que viveu com ela a vida inteira. Acompanhei tudo pelo twitter, e sofri junto, por saber o quanto isso dói. Quando voltei pra casa ontem, apertei tão forte as minhas (Noah – Golden Retriever; Olívia Labrador Rottweiller e Sandy Homo Sapiens Sapiens Poodle), que elas até fugiram.

Ter cachorro é um barato! Eu acho de verdade que a vida ganha muito mais sentido quando se tem um cão, porque não há nada na vida mais recompensador do que chegar em casa e o seu peludo vir te cumprimentar feliz, como se há dias não te visse, e como se você fosse a pessoa mais importante do universo.

A minha história no “mundo canino” é longa, e começou há uns 20 anos atrás, mais ou menos, quando o meu pai trouxe um filhote de ganso pra casa, e, depois que o bicho cresceu, virou um psicopata em potencial e começou a correr atrás de nós, pobres, inocentes e oprimidos; ele (o meu pai, não o ganso!) trocou o penoso por um cachorro.

Não lembro muito de como/quando aconteceu, a única coisa que me recordo do dia da chegada da Lassie foi que eu chorava e gritava pedindo meu pato de volta! Claro que essa marra toda durou pouco, porque depois da passagem do “trauma da descoberta”, quando me esforço pra lembrar dos fatos a primeira coisa que me vem à memória é a imagem do meu pai com o telefone na mão, conversando com o cara do canil, dizendo que não ia devolver o cachorro de jeito nenhum. Pois é, o Zé Bob comprou gato por lebre! Ou melhor, comprou vira-lata por Pastor Alemão! Quando nós percebemos que tínhamos adquirido um cachorro de marca genérica, meu pai foi lá reclamar, e o dono do canil disse que se nós devolvêssemos o filhote ele daria outro (FICADICA, GENTE! Se você for comprar um cão, pesquise direitinho informações sobre o canil, e se disponha a pagar um pouco mais por um filhote de procedência confiável! Nada de comprar filhote de criador de fundo de quintal, que não tem os devidos cuidados e que geralmente tá pensando em “fazer dinheiro” cruzando a fêmea dele com o macho do vizinho!) de outra ninhada, um Pastor Alemão ‘original’. Claro que não aceitamos, porque naquela altura eu já era doida pelo cachorro, e todo mundo em casa também já amava aquela coisa peluda. E assim começou minha vida de cachorreira.

Alguns anos depois veio a Hannah, um Rottweiller lindo (todos são, aliás, eu sou uma apaixonada pela raça!), roliço, fofo e peludo, que eu e o meu irmão compramos escondido e trouxemos pra casa sem os nossos pais saberem, e, consequentemente, sem o aval dos mesmos. Juízo? Não trabalhamos! Também consigo lembrar da cara de apavorada da minha mãe quando viu aquele projeto de cachorro-assassino destruindo perambulando pelo quintal! Quando a Hannah veio, a raça estava sendo largamente divulgada, não me lembro o motivo, mas não era por coisa boa. A imagem que os meus pais tinham de um Rottweiller era a de um cachorro traiçoeiro, mau, vingativo e dominante, que iria devorar a família toda e ainda palitar os dentes com os nossos ossos.

Porém, a Hannah se mostrou um cachorro brilhante, dócil com crianças, meigo, carente e carinhoso, de uma maneira que eu tenho certeza que surpreendeu a todos. Menos a mim, que sempre compartilhei da idéia de que “o cão é a cara do dono”, e sempre tive certeza de que é impossível um cachorro ser feroz se for criado com amor (a não ser que ele tenha desvio de comportamento, mas aí é outra história. Daí a importância de um filhote de procedência confiável!). Foi exatamente isso que aconteceu, e a Hannah acabou se tornando meu cachorro-amigo e nós desenvolvemos uma conexão inexplicável.

Nesse meio tempo também veio a Sandy, a devassa Poodle histérica, que nós adotamos quando os pais de uma ex namorada do meu irmão se separaram, cada um mudou pra um apê e a cadelinha virou uma pobre sem-teto. No início minha mãe foi super resistente, por nada nessa vida queria deixar que trouxéssemos a Sandy pra casa, mas acabou cedendo e o trio ficou completo.

Aos 18 anos, a Lassie já apresentava vários problemas de saúde por conta da idade: estava cega, tinha um tumor nas mamas, ficou banguela e surda… Coisas que nós fomos contornando com remédios, consultas freqüentes ao veterinário, cuidados, e etc. Até o dia em que ela começou a desenvolver insuficiência renal. Mais remédios. De uma hora pra outra ela piorou MUITO, os remédios já não faziam mais efeito, os retornos no veterinário estavam ainda mais freqüentes, ela parou de andar e chorava de dor o tempo todo, um puta sofrimento que eu, particularmente, não desejo pra ninguém! Teve uma noite que eu passei em claro escutando-a chorar. No dia seguinte, decidimos que não havia mais nada a ser feito, que havia chegado a hora de acabar com todo aquele sofrimento e deixá-la partir.

Isso foi em 2006, eu havia apenas começado a minha faculdade, era 18 de Outubro, e eu tinha prova de cálculo. Minha mãe não me deixou acompanhar o procedimento, disse que eu precisava me concentrar, e eu fiquei chorando na casa da minha avó, enquanto levavam a minha vira-latinha idosa pra passear pra sempre pela ponte do arco-íris. E assim eu perdi o cachorro que acompanhou a minha infância, que me defendeu dos ataques do meu irmão, e que foi a principal responsável por eu desenvolver essa curiosidade toda pelos animais.

Meses depois, no dia 05 de Novembro, a Hannah teve um mal súbito que ninguém sabe dizer exatamente qual, e atravessou a ponte pra ficar com a Lassie. Eu sofri. Sofri MUITO, porque perdi minhas duas companheiras em tão pouco tempo, e uma delas ainda “nova”, com 9 anos, por motivo desconhecido. Foi inevitável não passar dias, noites, meses, imaginando o que eu poderia ter feito para salvá-la, me culpando por não ter feito mais, e perguntando o que eu havia aprontado de errado para perder dois bichinhos tão amados, em tão pouco tempo. A veterinária diz que ela comeu algo que bloqueou o sistema digestivo. Eu tenho certeza que ela morreu de saudade.

Hoje as duas dormem juntinhas lá no sítio, debaixo da sombra de uma árvore bonita.

Depois disso começamos a sentir a casa vazia com um cachorro só, e em pouco tempo eu já bolava planos infalíveis para convencer a galera a colaborar com o sustento de outros dois cachorros. Uma vez a família de acordo, saí caçando canil de Rottweiller e Golden Retriever. Achei. Busquei a Noah em Janeiro e a Olívia em Fevereiro, as duas filhotonas mais fofas!

Fiz um Orkut, me interessei por adestramento e comportamento animal. Devorei livros, artigos e revistas sobre o assunto, estudei um monte. Aprendi muito, conheci gente, me apaixonei, fiz amigos que vou levar pra vida inteira, ganhei muita gente querida.

Conheci um mundo novo, e devo boa parte do que sou hoje às minhas cadelas. Porque, não fosse por elas, eu nunca teria me interessado pelo assunto, nunca teria sido apresentada ao mundo da cinofilia, e, conseqüentemente, não teria conhecido as pessoas que hoje mais me apóiam, empurram, incentivam e me seguram quando eu penso que tá tudo fodid*.

Não sei como vai ser quando chegar a hora de umas das três partir e prefiro não pensar muito nisso, mas sei que vou sofrer, porque toda separação é dolorosa. Espero que não seja tão traumático nem doloroso como foi da última vez. Por ora, me aproveito da companhia delas, de tudo o que elas me proporcionam de bom, daqueles “sorrisos” idiotas e me divirto com as trapalhadas e palhaçadas.

Cachorrada, cachorreiros: AMO!

08
dez
10

Amor Contínuo

“Ame seus pais e seus irmãos. Eles são a base de sua vida, seu chão e quem com certeza vai sempre te ajudar.

Ame suas tias e tios, porque foram eles que por muitas vezes zelaram seu sono, quando você era apenas uma criança. Eu sei,você não se lembra! Mas você só vai entender o amor dos tios, depois que seu primeiro sobrinho nascer. Então, não perca tempo.

Ame seus primos e amigos por mais que eles sejam completamente diferentes de ti. Aceite-os. Aceite-se. Todo mundo tem defeitos.

E por falar neles… nos defeitos, ame sua barriga, suas celulites e as tais estrias. Elas indicam que sua vida está repleta de prazeres gastronômicos. Ame também seus quilos a mais, porque se eles não existissem você jamais poderia comemorar a vitória de um dia perdê-los. Ame seu cabelo do jeitinho que ele é.

E o seu armário… Mude. Completamente. Doe. Experimente coisas novas, outras cores. Calças largas e calcinhas/cuecas de algodão. E não troque seu velho pijama por nada nesse mundo. Ele é o seu companheiro de sonhos.

E é com aquele tênis feio e fora de moda, com o formato exato dos seus pés, que eu acho que você deve sair para caminhar todas as manhãs. Pra amar as coisas que estão do lado de fora.

Tarefa difícil. Respire.

No fundo, procure outra pessoa para amar um tanto, que dê até vontade de se casar com ela. Namore. E não se preocupe com o tempo que a paixão vai durar. Se gostem. Se assumam. Se curtam. Se abracem. Se beijem. Viagem.

E saiam para dançar sempre!!! Tomem café da manhã juntos. Fiquem o domingo inteiro na cama, enquanto o mundo despenca numa chuva fria e fina.

E quando você achar que já amou demais nessa vida, tenha filhos. Se não conseguir, adote. Dizem que não há amor maior. E eles vão crescer, amando você e muitas outras coisas e pessoas.

Com sorte, você terá netos. E dos seus netos, receberá mais tarde com muito orgulho, o amor dos bisnetos.

Quando pede alguma coisa, saiba também agradecer, agradeça pelas coisas, a Deus pela tua vida, pelos amigos que tem, por que cada um que passa pela tua vida nunca passa por acaso, há sempre o que aprender e também a ensinar.

Quando você achar que deve mudar alguma coisa, então faça alguma coisa pra mudar. Nunca permita que teus medos impeçam de fazer aquilo que deseja.

Procure gostar das coisas internas, não fique colecionando matérias, o bem físico se vai, mais cedo ou mais tarde, o que fica verdadeiramente é o que você faz pelos outros e por você mesmo! Pense nisso!

O nosso amor é contínuo… É para sempre. É INFINITO!!!

O destino decide quem vamos encontrar na vida. As atitudes decidem quem fica!”
(Robert Frost)